São as pequenas coisas, sabes.

O dia-a-dia parece normal. É feito de céu azul e raios de sol. Sorrisos, gargalhadas, mais um copo, mais um café, menos um prego.
As mãos que me seguram o coração são de algodão doce e os colchões que me amparam a queda têm penas que não deixam caír. Às vezes, precisava de caír.

São as pequenas coisas, sabes.

É a história que partilho com aquele(a) desconhecido(a), que não consigo partilhar com mais ninguém. Parece terapia.
É a música que ouço no meio de tantas outras, mas porque é «As velhas dos Açores» e me lembro que nunca mais vou ouvir o tom desafinado, à culpa de um copinho a mais, ao lado do tom dela, mas que encaixava tão bem.
É a ginja que prometeste fazer este Verão, não consegues ver que já não há mais?
É o carro que tem problemas que mais ninguém sabe resolver.
É o telefonema aleatório, só porque me apetecia, porque hoje é quarta-feira e já não falo contigo há dois dias.
É lembrar-me que a última vez que me lembro de ouvir a tua voz, estava a ouvir os D.A.M.A..
Ainda hoje no carro está esse CD, e de lá não sai.
É ver aquela notícia, aquela pastelaria que abriu em Lisboa em homenagem às pastelarias antigas, do teu tempo, e pensar «tenho que partilhar com ele», e é outro balde de água fria.
As mãos gelam.
O coração gela.
O algodão doce não chega.

E as pequenas coisas são buracos negros enormes.

E mais uma vez tropeço na minha apatia e caio de cabeça. 


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